Sinto que morrerei em breve,
E na vã esperança de ser lido,
Antes que Pã me leve
Vos escrevo este pedido.
E na vã esperança de ser lido,
Antes que Pã me leve
Vos escrevo este pedido.
Não sofram minha ausência
Porque não a sofrerei eu.
Entregar-me-ei à nossa ciência
Como sempre fui: mero plebeu.
Porque não a sofrerei eu.
Entregar-me-ei à nossa ciência
Como sempre fui: mero plebeu.
Atirem-me ao fogo,
Que é a luz da vida.
Ah!, a ironia do jogo
Que não acaba na saída!
Que é a luz da vida.
Ah!, a ironia do jogo
Que não acaba na saída!
(E sem razão se vai fazendo tudo
Enquanto tentamos dar-lhe uma…
… … …
Dividam as minhas cinzas
Em apenas quatro porções.)
Enquanto tentamos dar-lhe uma…
… … …
Dividam as minhas cinzas
Em apenas quatro porções.)
A primeira,
Deitem-na, calmamente, ao mar.
Com Posídon lá jazerá
Essa minha parte, a flutuar
No prazer que não me dá.
Deitem-na, calmamente, ao mar.
Com Posídon lá jazerá
Essa minha parte, a flutuar
No prazer que não me dá.
A segunda,
Entreguem-na aos ventos
Da mais alta cumeeira.
À mão de Zéfiro e Nótus,
Na aventura verdadeira.
Entreguem-na aos ventos
Da mais alta cumeeira.
À mão de Zéfiro e Nótus,
Na aventura verdadeira.
A terceira,
Na mais bela das florestas,
Dançando com as ninfas de Pã.
Estas comigo, e eu com estas,
Habitantes da eterna manhã.
Na mais bela das florestas,
Dançando com as ninfas de Pã.
Estas comigo, e eu com estas,
Habitantes da eterna manhã.
A quarta,
Com Filotes ficarei
Na casa da família
Em qual por tempos fui rei,
Guardador errante da mobília.
Com Filotes ficarei
Na casa da família
Em qual por tempos fui rei,
Guardador errante da mobília.
E agora, meus amigos:
Posso morrer contente
E de alma erguida,
Posso morrer contente
E de alma erguida,
Explorando os perigos,
Navegar na corrente
Pela qual lutamos na vida.
Navegar na corrente
Pela qual lutamos na vida.
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