É tão simples quanto isso:
De tão simples sê-lo,
Sê-lo-á tanto de enguiço
Quanto maior for meu duelo
Pois a cabeça tem armas
E o coração, dele, escudos
Que escudam de outros mas
Às armas são mudos.
Por ora, eu faço minha
E tu farás com a tua.
Cruzados ou em linha,
Armas e escudos se batem
Em carne viva e nua.
Hás de voltar.
Assim se verá!
Poesias de uma Mente por Achar
Mais um... apenas isso.
sábado, 7 de março de 2015
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Sinto que morrerei em breve
Sinto que morrerei em breve,
E na vã esperança de ser lido,
Antes que Pã me leve
Vos escrevo este pedido.
E na vã esperança de ser lido,
Antes que Pã me leve
Vos escrevo este pedido.
Não sofram minha ausência
Porque não a sofrerei eu.
Entregar-me-ei à nossa ciência
Como sempre fui: mero plebeu.
Porque não a sofrerei eu.
Entregar-me-ei à nossa ciência
Como sempre fui: mero plebeu.
Atirem-me ao fogo,
Que é a luz da vida.
Ah!, a ironia do jogo
Que não acaba na saída!
Que é a luz da vida.
Ah!, a ironia do jogo
Que não acaba na saída!
(E sem razão se vai fazendo tudo
Enquanto tentamos dar-lhe uma…
… … …
Dividam as minhas cinzas
Em apenas quatro porções.)
Enquanto tentamos dar-lhe uma…
… … …
Dividam as minhas cinzas
Em apenas quatro porções.)
A primeira,
Deitem-na, calmamente, ao mar.
Com Posídon lá jazerá
Essa minha parte, a flutuar
No prazer que não me dá.
Deitem-na, calmamente, ao mar.
Com Posídon lá jazerá
Essa minha parte, a flutuar
No prazer que não me dá.
A segunda,
Entreguem-na aos ventos
Da mais alta cumeeira.
À mão de Zéfiro e Nótus,
Na aventura verdadeira.
Entreguem-na aos ventos
Da mais alta cumeeira.
À mão de Zéfiro e Nótus,
Na aventura verdadeira.
A terceira,
Na mais bela das florestas,
Dançando com as ninfas de Pã.
Estas comigo, e eu com estas,
Habitantes da eterna manhã.
Na mais bela das florestas,
Dançando com as ninfas de Pã.
Estas comigo, e eu com estas,
Habitantes da eterna manhã.
A quarta,
Com Filotes ficarei
Na casa da família
Em qual por tempos fui rei,
Guardador errante da mobília.
Com Filotes ficarei
Na casa da família
Em qual por tempos fui rei,
Guardador errante da mobília.
E agora, meus amigos:
Posso morrer contente
E de alma erguida,
Posso morrer contente
E de alma erguida,
Explorando os perigos,
Navegar na corrente
Pela qual lutamos na vida.
Navegar na corrente
Pela qual lutamos na vida.
domingo, 3 de novembro de 2013
Tu, que não és tu, de tantas formas e feitios
Mais uma vez estive contigo, Tu, que não és tu.
Cara tão bem conhecida e alma ainda tão por descobrir.
Comigo vieste ter e quiseste-me de seguida,
Tal como te vi e logo cri que te queria.
Cara tão bem conhecida e alma ainda tão por descobrir.
Comigo vieste ter e quiseste-me de seguida,
Tal como te vi e logo cri que te queria.
Um amor perfeito, crescente como uma Lua eterna,
Eu devoto, Tu terna, cuidas de mim, mente tua,
E eu te protejo sempre que precises de meu braço.
Amor de aço, esse ansejo prisioneiro de agrado.
Eu devoto, Tu terna, cuidas de mim, mente tua,
E eu te protejo sempre que precises de meu braço.
Amor de aço, esse ansejo prisioneiro de agrado.
Meteste-me os braços em torno, olhaste-me para dentro
Entrando por meus olhos, poder incapacitante de todo.
Sorriste e eu morri mil vezes. Olhos brilhantes,
Dentes salientes, cabelos correntes e correntes em mim.
Entrando por meus olhos, poder incapacitante de todo.
Sorriste e eu morri mil vezes. Olhos brilhantes,
Dentes salientes, cabelos correntes e correntes em mim.
Cheiravas ao Fogo que da pele emanas, à Floresta
Que meu Deus Pã guarda, ao Mar em que me desejo afogar.
Peguei-te nas ancas, Adeus à memória vã que aguarda
E mais não pode esperar, porque já aqui estás.
Que meu Deus Pã guarda, ao Mar em que me desejo afogar.
Peguei-te nas ancas, Adeus à memória vã que aguarda
E mais não pode esperar, porque já aqui estás.
Explodiu o meu peito logo que unimos os lábios: o desejo
Do teu sabor restrito, do tato ameno das peles húmidas.
Suave atrito dos corpos em trovoadas alardiosas mentais.
Eras minha e eu Teu, e tudo o que nos deu era nosso.
Do teu sabor restrito, do tato ameno das peles húmidas.
Suave atrito dos corpos em trovoadas alardiosas mentais.
Eras minha e eu Teu, e tudo o que nos deu era nosso.
Abri os olhos, ainda te sentindo, como se tivesses sido real.
Acordei como se desejasse jamais cessar de dormir, felicidade dada
E agora roubada sem que controlo ou algo mais pudesse forçar.
Ainda ecoavas no meu pensamento, Tu e teus morosos efeitos.
Acordei como se desejasse jamais cessar de dormir, felicidade dada
E agora roubada sem que controlo ou algo mais pudesse forçar.
Ainda ecoavas no meu pensamento, Tu e teus morosos efeitos.
Mas não temas, porque te acharei, Tu, de tantas formas e feitios,
Pois não é de mim desistir sem encontrar. Podes ajudar e guiar-me,
No mais íntimo desejo meu, até que o sonho seja feito em história.
Logo à noite sonharei outra vez, e Tu, que não és tu, serás sempre Tu.
Pois não é de mim desistir sem encontrar. Podes ajudar e guiar-me,
No mais íntimo desejo meu, até que o sonho seja feito em história.
Logo à noite sonharei outra vez, e Tu, que não és tu, serás sempre Tu.
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Mas que grande trovoada!
Mas que grande trovoada!
Que tremenda música
Que me grita que sou nada,
E treme-me com a metafísica.
Que tremenda música
Que me grita que sou nada,
E treme-me com a metafísica.
Somos pequenos a valer
Na imensidão da Natureza,
Mas ainda há uns a crer
Que tudo tem uma certeza!
Na imensidão da Natureza,
Mas ainda há uns a crer
Que tudo tem uma certeza!
Mas, amigos ignorantes:
Tudo se faz sem razão.
Ainda que os pensadores errantes
Teimem em achar solução…
Tudo se faz sem razão.
Ainda que os pensadores errantes
Teimem em achar solução…
A inconsciência está à nossa volta
E nós superiorizando a mente
Quando é nada de nada neste mundo.
E nós superiorizando a mente
Quando é nada de nada neste mundo.
Por isso relaxo, ouvindo a revolta
Dos céus ao ser humano demente
Que é a revolta que sinto no fundo!
Dos céus ao ser humano demente
Que é a revolta que sinto no fundo!
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sábado, 26 de outubro de 2013
Lua Nova
Perdi. Sonhei e perdi.
O que poderia ter sido
Faz tudo parte do que não vi,
Faz tudo parte do partido.
O que poderia ter sido
Faz tudo parte do que não vi,
Faz tudo parte do partido.
Hora essa que soube do Fado
E da sua perversa ironia,
Foi a hora em que deixei cantado
O meu terror e a agonia.
E da sua perversa ironia,
Foi a hora em que deixei cantado
O meu terror e a agonia.
As escolhas do coração
Não contam com pensamentos
Alheios, dos que na prisão
Dele vivem, ou morrem.
Não contam com pensamentos
Alheios, dos que na prisão
Dele vivem, ou morrem.
E tal como a lua é nova,
Hoje, também é minha certeza
Que o meu brilho não renova,
Não mais, enquanto penso.
Hoje, também é minha certeza
Que o meu brilho não renova,
Não mais, enquanto penso.
Hoje a lua é nova…
Mas a lua está sempre cheia…
Nós é que só reparamos na sua parte brilhante.
Mas a lua está sempre cheia…
Nós é que só reparamos na sua parte brilhante.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Lua, que pareces pintada no céu
Numa tela escura de infinito,
Como um futuro que não é meu
Numa verdade que não admito.
Numa tela escura de infinito,
Como um futuro que não é meu
Numa verdade que não admito.
Verdade essa que jaz,
Pois jaz, na ilusão
Que o pensamento faz
Em toda a sua confusão.
Pois jaz, na ilusão
Que o pensamento faz
Em toda a sua confusão.
A lua vai ficando mais pequena
E menos brilhante a cada dia,
E com ela, na noite serena,
Descolora também a fantasia
E menos brilhante a cada dia,
E com ela, na noite serena,
Descolora também a fantasia
Do pensar, ao sentir com a cabeça,
Do imaginar, ao prever a ciência,
Da noita da lua, até que alvoreça
Nas mentes dos que só têm consciência!
Do imaginar, ao prever a ciência,
Da noita da lua, até que alvoreça
Nas mentes dos que só têm consciência!
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Pedras
Pedras na minha mão,
Lindas na minha mão.
Ao menos enquanto na mão
Não fica em pedra o coração.
Lindas na minha mão.
Ao menos enquanto na mão
Não fica em pedra o coração.
Amo-as uma de cada vez,
Mas quando chega a sua vez,
Deito-as fora, de vez.
E fica em pedra o coração.
Sob as árvores, alheio
Da mente me deito e adormeço,
E as pedras, cheias, no seu meio,
De vida eterna que não mereço.
E fica em pedra o coração
Pois só assim é eterno.
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