sábado, 26 de outubro de 2013

Lua Nova

Perdi. Sonhei e perdi.
O que poderia ter sido
Faz tudo parte do que não vi,
Faz tudo parte do partido.
Hora essa que soube do Fado
E da sua perversa ironia,
Foi a hora em que deixei cantado
O meu terror e a agonia.
As escolhas do coração
Não contam com pensamentos
Alheios, dos que na prisão
Dele vivem, ou morrem.
E tal como a lua é nova,
Hoje, também é minha certeza
Que o meu brilho não renova,
Não mais, enquanto penso.
Hoje a lua é nova…
Mas a lua está sempre cheia…
Nós é que só reparamos na sua parte brilhante.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Lua, que pareces pintada no céu
Numa tela escura de infinito,
Como um futuro que não é meu
Numa verdade que não admito.
Verdade essa que jaz,
Pois jaz, na ilusão
Que o pensamento faz
Em toda a sua confusão.
A lua vai ficando mais pequena
E menos brilhante a cada dia,
E com ela, na noite serena,
Descolora também a fantasia
Do pensar, ao sentir com a cabeça,
Do imaginar, ao prever a ciência,
Da noita da lua, até que alvoreça
Nas mentes dos que só têm consciência!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Pedras

Pedras na minha mão,
Lindas na minha mão.
Ao menos enquanto na mão
Não fica em pedra o coração.

Amo-as uma de cada vez,
Mas quando chega a sua vez,
Deito-as fora, de vez.
E fica em pedra o coração.




Sob as árvores, alheio
Da mente me deito e adormeço,
E as pedras, cheias, no seu meio,
De vida eterna que não mereço.

E fica em pedra o coração
Pois só assim é eterno.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Confissões

Sou um desistente...
Desisti de mim e desisti da vida.
O que meu o coração sente
É o términus da corrida.

Sou um pessimista...
Luz aqui ou luz acolá
Não alcança a vista
Mesmo até quando a há.

Vi o mundo e vi o Fado
E, dele, fadado assim ficou
Como de quem lança o dado
Pois ao Fado o entregou.

Nunca fui senão vigário...
Conselhos de um homem
Que jamais abandonou o armário,
E que por ele rezem!

Acabarei, assim, digno de dó,
Cego da dúvida sem solução.
As prateleiras da mente a ganhar pó
Justamente por minha decisão.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Versos de um Solitário

Está uma noite calma e escura.
A lua brilha, branca como o gesso.
Oiço o miado de um gato em fuga,
E quanto mais eu penso mais eu arrefeço.

Apesar da brisa breve,
A sua frigidez não perdoa.
Acaricia-me a pele com uma leve
Sensação, que apesar de cortante, não magoa

Pois mais que tudo o resto
Está com dor o pensamento.
E enquanto permanece o tormento
O corpo não tem direito ao manifesto.

Por isso, olho o céu negro.
Cumprimento a minha amiga estrela,
Sozinha, lá no eterno infinito…
Estou tão só como ela.

Reconforto-me com o pequeno que sou,
E que bom que sei que assim o sinto.
Mesmo que já não mude o que passou,
O amanhã é só meu!

Penso, assim, na minha morte
(Num túmulo de pedra escura),
E dou graças à minha sorte
Se houver próxima aventura.